6 de janeiro de 2014

A ciência dos Super Heróis


  Ninguém é páreo para o Flash: quem mais desafia - e ganha - das teorias do físico Albert Einstein? Nas histórias em quadrinhos, ele consegue bater a velocidade da luz graças a uma bolha que engana o atrito. Na vida real, porém, ele não chegaria nem perto dos 300 mil quilômetros por segundo. Quando suas pernas o fizessem atingir a barreira do som (340 metros por segundo), ele não conseguiria mais respirar, pois não teria força para expulsar o ar dos pulmões; a hipervelocidade poderia rasgar sua mandíbula e inchar sua boca; a pressão do ar explodiria seus olhos; e, pior, ele não seria mais capaz de ouvir nenhum barulho, pois os gritos de socorro estariam "mais lentos" que ele.

  O preparo do corpo e da mente, com uma ajudinha da tecnologia, fazem Batman derrotar seus arqui-inimigos na ficção. Você pode não ter a fortuna da família Wayne, mas, em breve, terá a chance de vestir uma roupa tão inteligente quanto a do Homem Morcego, garantem projetos com polímeros inteligentes. Os pesquisadores da Universidade de Linkoping, na Suécia, já criaram uma fibra de poliamida que é capaz de identificar se a pessoa está sentindo frio ou calor. Já Gordon Wallace, da Universidade de Wollongong, na Austrália, desenvolve um tecido que capta a energia solar para transformá-la em eletricidade, fonte ideal para carregar desde MP3 até computadores em pleno campo de batalha, conta o jornalista Juan Scalliter, no livro "A Ciência dos superpoderes".

  Steven Rogers não se transformaria no Capitão América só com o soro que ele recebeu em plena Segunda Guerra Mundial. O coquetel de hormônios da década de 1940 provocaria muita acne, oscilações de humor e redução dos testículos do supersoldado, segundo o livro "A Ciência dos Superpoderes". Por enquanto, a genética permite um desenvolvimento muscular mais eficiente, tratamento bastante em voga entre atletas olímpicos, mesmo que não seja tão imbatível quanto o dos quadrinhos.

  Tony Stark ora atende como um playboy milionário e beberrão, ora como super-herói. Com uma armadura de ferro e um dispositivo magnético no peito, o Homem de Ferro é a personificação dos supersoldados que estão entrando em campo atualmente. E tudo graças a Steve Jacobsen, pesquisador da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, que criou o XOS 2, um exoesqueleto cheio de sensores e um computador que fica escondido em uma mochila nas costas. Esse equipamento militar faz qualquer objeto parecer 17 vezes mais leve do que realmente é, facilitando a vida de quem o usa acoplado ao corpo.


  Nos quadrinhos, Peter Parker desenvolveu um tecido muito resistente para se equilibrar entre os arranha-céus de Nova York e, assim, combater o crime com mais agilidade. E não foi à toa, já que as aranhas são as responsáveis pela fibra mais forte da natureza, que suporta 20 mil quilos por centímetro quadrado. Segundo o livro "A Ciência dos Superpoderes", o polímero mais próximo do poder do Homem Aranha é o Spectra, derivado do polietileno. A fibra, diz o fabricante, é dez vez mais forte que o aço e 40% mais resistente que as fibras sintéticas de aramida.

  Só nos quadrinhos para a radiação gama conferir superpoderes a um cientista. Na vida real, a radiação eletromagnética provoca ionizações extremamente fortes nos átomos: eles retiram o elétron da órbita e obrigam o restante do átomo a se rearranjar com fótons radioativos. Assim, uma reação em cadeia é promovida na estrutura química das células do corpo, o que traria efeitos danosos ao personagem Bruce Banner. As pessoas expostas à radiação gama sofreriam com fortes dores de cabeça e mutações nos membros e órgãos antes de morrerem, sem a menor chance de viver como Hulk por um segundo.

  Depois de uma viagem desastrosa pelo espaço, quatro amigos voltaram para a Terra como o bônus de serem um esquadrão de super-heróis. Namorada do líder do grupo, a loirinha Sue Storm tornou-se a Mulher Invisível do Quarteto Fantástico. Para transportarmos esse poder para a vida real, a ciência precisou fazer alguns truques. É que as pessoas conseguem ver as coisas ao seu redor por conta da luz que reflete neles, isto é, se um material tiver uma baixa refração, vai ficar mais difícil enxergá-lo. Para ficarmos invisíveis, portanto, os materiais precisam ter na sua estrutura componentes com tamanho menor do que 100 nanômetros, para ocultar as ondas visíveis do espectro eletromagnético, o que faz a luz contorná-lo, e não refleti-lo.

  Uma cara de mal e seis garras mais fortes que diamante só existem para um mutante das histórias em quadrinhos. A ciência lamenta por não ter desenvolvido um material tão resistente quanto o adamantium, substância que reveste o esqueleto de Wolverine, mas Juan Scalliter, autor do livro "A Ciência dos Superpoderes", afirma que alguns pesquisadores estão se esforçando para desvendar os segredos dessa arma indestrutível. Químicos da Universidade da California, em Los Angeles, estão tentando ligações covalentes (quando um átomo compartilha dois ou mais elétrons com outros) ao introduzir átomos de uma substância nos de outra, mas os testes com o diboreto de rênio (boro com rênio) precisam de mais tempo para atingirem a firmeza desejada pelos fãs dos X-Men.

   É a diferença entre a gravidade do planeta Krypton e a da Terra que dá a fama de "pássaro" ao super-herói mais famoso da editora DC. Nas primeiras histórias de 1938, o Super-Homem não voava sobre Metrópolis, mas saltava seus grandes prédios com um impulso apenas, lembra Juan Scalliter no livro "A Ciência dos Superpoderes". Quanto maior a massa de um corpo, maior será a força da atração que ele vai exercer ao seu redor, ou seja, se o planeta do Super-Homem for muito mais pesado que o nosso, ele conseguirá levantar carros com um dedo e saltar com facilidade.

Fonte: UOL Ciência 

Nenhum comentário :

Postar um comentário