6 Mangás Battle Shonens Cult que Você Deveria Conhecer
Hoshin Engi de Ryu Fujisaki
Ser fã de mangás hypados é muito fácil. Essas obras estão sempre ganhando novas temporadas de anime, filmes, jogos, produtos e adaptações para diferentes mídias, permanecendo o tempo todo em evidência. Mas esses sucessos gigantescos representam apenas a ponta de um iceberg enorme, recheado de obras incríveis escondidas logo abaixo dos holofotes.
Ao longo dos anos, diversos battle shonens realmente muito bons acabaram ficando na sombra de gigantes como Dragon Ball, Naruto, One Piece e outros fenômenos. Alguns até venderam bem e conquistaram uma base fiel de fãs, mas nunca alcançaram o mesmo nível de popularidade mainstream. Ainda assim, muitas dessas obras desenvolveram uma identidade própria forte, apostando em propostas mais diferentes, estilos únicos, sistemas de poder criativos e narrativas que acabaram conquistando reconhecimento tardio entre leitores mais apaixonados pelo gênero.
E essa é a ideia de “battle shonen cult” desta postagem. Obras mais nichadas, menos comentadas pelo grande público, mas extremamente respeitadas entre fãs mais hardcore de mangá por sua qualidade, originalidade e personalidade marcante. Nesta lista, vamos indicar 6 mangás battle shonens que, mesmo longe do estrelato, são verdadeiros tesouros escondidos.
Houshin Engi
Hoshin Engi de Ryu Fujisaki
Hoshin Engi é um mangá de fantasia baseado na mitologia chinesa. Escrito e desenhado por Ryu Fujisaki, foi publicado na revista Shonen Jump entre 1996 e 2000, sendo concluído em 23 volumes encadernados.
Esse mangá surgiu nas páginas da Shonen Jump em um momento complicado. Obras consagradas como Dragon Ball, Slam Dunk e Yu Yu Hakusho haviam acabado de terminar, e a revista sofria com uma grande queda nas vendas. Mesmo Hoshin Engi fazendo relativo sucesso na época, pouco tempo depois começaram a surgir novos fenômenos como One Piece, Hunter x Hunter e Naruto, fazendo com que a obra acabasse ficando meio esquecida no rolê entre duas gerações de gigantes dos battle shonens.
Hoshin Engi de Ryu Fujisaki
Inspirado no clássico romance chinês Fengshen Yanyi, a trama se passa em uma versão fantástica da China Antiga, onde o cruel imperador Chou governa o reino sob influência da misteriosa Dakki, uma poderosa feiticeira responsável por espalhar caos, corrupção e sofrimento pelo país. Para impedir que o mundo mergulhe de vez na destruição, os sábios do Reino dos Imortais iniciam o “Projeto Houshin”, uma missão destinada a derrotar e selar seres sobrenaturais perigosos.
Nosso protagonista se chama Taikoubou, um jovem imortal extremamente preguiçoso e despreocupado, escolhido para liderar essa missão. Mas diferente dos protagonistas tradicionais dos battle shonens, Taikoubou raramente resolve seus problemas apenas na força bruta, preferindo usar estratégia, manipulação e inteligência para derrotar seus inimigos. Ao longo da jornada, ele reúne diversos aliados enquanto enfrenta guerreiros, criaturas místicas e figuras inspiradas no folclore chinês.
Hoshin Engi de Ryu Fujisaki
Apesar de começar com um clima mais leve e até cômico, Hoshin Engi rapidamente evolui para uma história cheia de guerras, conspirações políticas, batalhas estratégicas e reviravoltas inesperadas. Misturando mitologia chinesa com elementos sci-fi e um estilo visual extremamente único.
A obra também teve certo azar com suas adaptações em anime. Em 1999, Hoshin Engi ganhou sua primeira versão animada, Senkaiden Houshin Engi (acabou conhecido no ocidente como Soul Hunter), produzido pelo Studio Deen. O anime chegou a passar no Brasil pelos canais Locomotion e Animax. Porém, muita gente critica essa adaptação por mudar bastante a história original e não adaptar o mangá completamente.
Em 2018, a obra ganhou um novo anime chamado Hakyuu Hoshin Engi, mas o remake também foi bastante criticado por acelerar demais a história, adaptando muitos capítulos em poucos episódios e cortando vários momentos importantes.
Violinist of Hameln
Violinist of Hameln de Michiaki Watanabe
Violinist of Hameln é um mangá de fantasia e comédia inspirado no famoso conto folclórico alemão “O Flautista de Hamelin”, mas aqui o protagonista utiliza um violino mágico no lugar da tradicional flauta. Escrito e desenhado por Michiaki Watanabe, foi publicado na revista Shonen Gangan entre 1991 e 2001, sendo concluído em 37 volumes encadernados.
Esse mangá era uma das principais obras da Shonen Gangan, uma revista muito voltada para obras de fantasia e RPG. A Gangan tinha sua importância no mercado e possuía uma base fiel de leitores, mas ainda estava longe da popularidade das gigantes revistas shonen da época. Considerado uma das obras que ajudaram a construir a identidade da revista nos anos 90, Violinist of Hameln terminou em 2001... mesmo ano que Fullmetal alchemist começou a ser publicado e seu sucesso absurdo alavancou a popularidade da revista.
Violinist of Hameln de Michiaki Watanabe
Em um clássico mundo de fantasia medieval ameaçado por demônios, conhecemos Hamel, um violinista errante e misterioso que utiliza um enorme violino mágico como arma para enfrentar criaturas demoníacas através da música. Acontece que nosso protagonista é um sujeito covarde, ganancioso e extremamente picareta, chegando muitas vezes a extorquir as pessoas que supostamente acabou de salvar.
Ao longo da trama, acompanhamos a perigosa jornada desse personagem rumo ao norte, a região conhecida como o ninho dos demônios. Porém, aos poucos a obra revela que existe um motivo muito mais importante por trás dessa viagem. Durante sua aventura, Hamel acaba encontrando novos aliados e enfrentando inimigos cada vez mais poderosos. Apesar da premissa parecer simples no começo, com o avançar da trama o mangá se transforma em uma verdadeira fantasia épica.
Violinist of Hameln de Michiaki Watanabe
Um grande diferencial da obra é a forma como a música faz parte das batalhas. Diferente da maioria dos battle shonens focados apenas em socos ou poderes explosivos, aqui os personagens utilizam instrumentos musicais como armas. Violinos, flautas e outros instrumentos são usados para atacar, lançar magia e enfrentar os demônios, dando à obra uma identidade muito única e diferente de outros mangás do gênero.
A obra ganhou uma adaptação em anime nos anos 90 produzida pelo Studio Deen. Porém, muitos fãs criticam a série por mudar bastante a história original e criar um final diferente do mangá.
Kekkaishi
Kekkaishi de Yellow Tanabe
Kekkaishi é um mangá de ação sobrenatural sobre exorcistas que enfrentam criaturas sobrenaturais utilizando barreiras espirituais. Escrito e desenhado por Yellow Tanabe, foi publicado originalmente na revista Shonen Sunday entre 2003 e 2011, sendo concluído em 35 volumes encadernados.
Kekkaishi de Yellow Tanabe
A história acompanha Yoshimori Sumimura e sua vizinha Tokine Yukimura, dois jovens pertencentes a famílias rivais de exorcistas conhecidos como Kekkaishi, especialistas em utilizar barreiras espirituais para enfrentar criaturas sobrenaturais chamadas Ayakashi. Durante o dia eles vivem como estudantes normais, mas à noite precisam proteger sua escola... ou melhor, o terreno sagrado chamado Karasumori, local sobre o qual a escola foi construída e que atrai monstros e espíritos perigosos o tempo todo.
Apesar da disputa entre suas famílias, os dois trabalham juntos todas as noites enfrentando criaturas sobrenaturais. Enquanto Tokine é mais séria, madura e habilidosa nas batalhas, Yoshimori é impulsivo e cabeça-dura e prefere pensar em confeitaria a lutar. Mesmo assim, ele possui um enorme potencial escondido e sonha em se tornar forte o suficiente para proteger Tokine.
Kekkaishi de Yellow Tanabe
Diferente de muitos battle shonens focados apenas em personagens ficando cada vez mais fortes através de transformações e golpes explosivos, aqui os protagonistas possuem um poder basicamente defensivo. A autora trabalha o conceito de barreiras espirituais de inúmeras formas diferentes, fazendo com que boa parte dos confrontos dependa mais de estratégia, posicionamento e criatividade do que simplesmente porrada.
Kekkaishi também ganhou uma adaptação em anime produzida pelo estúdio Sunrise nos anos 2000. A série foi bem recebida na época, principalmente pela qualidade da animação e das batalhas envolvendo as barreiras espirituais. Porém, o anime adaptou a história apenas até o volume 11 do mangá e nunca recebeu uma continuação, deixando de fora boa parte dos arcos mais importantes e do crescimento da obra.
A editora Panini começou a publicar Kekkaishi no Brasil em 2010, mas infelizmente o mangá acabou sendo cancelado no volume 19 por conta das baixas vendas.
Gash Bell!!
Gash Bell!! de Makoto Raiku
Gash Bell!! é um mangá de ação sobrenatural com elementos de battle royale, onde crianças demônio lutam entre si, acompanhadas de parceiros humanos, para decidir quem se tornará o novo rei do Mundo Demoníaco. Escrito e desenhado por Makoto Raiku, foi publicado originalmente na revista Shonen Sunday entre 2001 e 2007, sendo concluído em 33 volumes encadernados.
Gash Bell!! de Makoto Raiku
A história acompanha Kiyomaro Takamine, um estudante genial extremamente antissocial que vê sua vida mudar completamente ao conhecer Gash, um mamodo... Basicamente uma criança demoníaca enviada ao mundo humano para participar de uma espécie de competição battle royale. A cada mil anos, cem mamodos são enviados à Terra para lutar entre si, e o vencedor se torna o novo rei do Mundo Mamodo. Para utilizar seus poderes, cada um desses demônios precisa formar parceria com um humano capaz de ler seu livro mágico, responsável por ativar suas técnicas especiais.
Gash Bell!! de Makoto Raiku
A premissa do mangá não apresenta nenhuma grande novidade: temos um torneio sobrenatural onde apenas uma dupla sairá vencedora. A dinâmica dessas duplas lembra um pouco Pokémon, já que os mamodos utilizam ataques especiais ativados pelos comandos de seus parceiros humanos, que funcionam quase como treinadores durante as batalhas. Os confrontos também possuem uma pegada que lembra bastante os Stands de JoJo, com personagens utilizando poderes únicos e lutas muito mais estratégicas do que simplesmente força bruta.
Aqui você vai encontrar praticamente todos os elementos clássicos dos battle shonens, como evolução de poderes, rivalidades, amizades e personagens cada vez mais fortes. Mas a obra consegue trabalhar tudo isso de uma maneira muito própria, misturando humor completamente maluco, batalhas extremamente criativas e momentos emocionantes que pegam o leitor de surpresa várias vezes ao longo da história. Mesmo utilizando uma premissa aparentemente simples, o mangá consegue construir uma aventura extremamente carismática e emocional, sendo lembrado até hoje como um dos battle shonens mais únicos dos anos 2000.
Gash Bell!! de Makoto Raiku
A obraganhou uma adaptação em anime produzida pela Toei Animation, mas a série não chegou a adaptar toda a história do mangá. No ocidente, o anime chegou com o nome Zatch Bell!, na versão da 4Kids Entertainment, que fez várias mudanças no conteúdo original, como cortes, censura e alterações em diálogos, o que acabou suavizando bastante o tom da obra. A série também foi exibida no Cartoon Network no Brasil, e a galera mais velha provavelmente vai lembrar disso...
Chrno Crusade
Chrno Crusade de Daisuke Moriyama
Chrno Crusade é um mangá de ação sobrenatural escrito e desenhado por Daisuke Moriyama, publicado originalmente na revista Shonen Gangan entre 1999 e 2003, sendo concluído em 8 volumes encadernados. Um detalhe curioso da obra é que seu título: “Chrno Crusade”, sem o “o”, é devido a um erro de digitação da época. Em edições mais recentes e materiais posteriores, o nome foi corrigido para “Chrono Crusade”.
Chrno Crusade de Daisuke Moriyama
Nos Estados Unidos dos anos 20, a prosperidade pós-Primeira Guerra Mundial é ameaçada por uma onda de fenômenos paranormais e ataques demoníacos. Para combater essa ameaça, a Ordem de Magdala convoca seu exército de exorcistas, composto por freiras e padres fortemente armados. Entre eles está Rosette Christopher, uma jovem freira impulsiva que esconde um segredo: para encontrar seu irmão desaparecido, ela selou um pacto de sangue com Chrno, um demônio temido no passado. O preço dessa aliança é trágico, pois cada vez que Rosette liberta os poderes selados de Chrno, sua própria expectativa de vida é consumida pelo relógio em seu peito.
Acontece que Joshua, o irmão de Rosette, foi sequestrado por Aion, o mais poderoso dos demônios e que possui planos sombrios envolvendo o destino do mundo. Agora nossoa dupola de protagonistas impóvaveis partem em uma jornada enfrentando forças das trevas e reunindo pistas, sabendo que quanto mais se aproximam da verdade, mais alto será o preço a pagar.
Chrno Crusade de Daisuke Moriyama
Vale destacar que mangá é um battle shonen com uma protagonista feminina lançado no final dos anos 90, algo que ainda hoje não é tão comum dentro do gênero. E, mesmo sendo uma obra curta, com apenas 8 volumes, consegue entregar um mundo muito bem construído, misturando elementos históricos dos anos 1920 com temas religiosos e sobrenaturais.
Chrno Crusade também ganhou uma adaptação em anime produzida pelo estúdio Gonzo nos anos 2000. A série ajudou a popularizar a obra, mas acabou tomando algumas liberdades em relação ao material original, principalmente na reta final, apresentando um desfecho diferente do mangá.
Sengoku Youko
Sengoku Youko de Satoshi Mizukami
Sengoku Youko é um mangá de fantasia sobrenatural ambientado em um Japão feudal fantástico. Escrito e desenhado por Satoshi Mizukami (mesmo autor de Lucifer e o Martelo e Spirit Circle), foi publicado originalmente na revista Comic Blade entre 2007 e 2016, sendo concluído em 17 volumes encadernados.
É a maior obra (em volumes) de Satoshi Mizukami, um autor que merecia muito mais reconhecimento. O mangá começou a ser publicado em 2007 na revista impressa Comic Blade, da editora Mag Garden, mas a revista acabou sendo descontinuada em 2014. Com isso, a obra migrou para a versão digital da publicação, onde seguiu até sua conclusão em 2016.
Sengoku Youko de Satoshi Mizukami
A trama se passa no período Sengoku do Japão feudal, uma era marcada por guerras e caos. Nesse mundo, humanos convivem com criaturas sobrenaturais conhecidas como katawara. Acompanhamos uma dupla de demônios, Tama e seu irmão Jinka: enquanto ela ama os humanos, ele os despreza. Os dois viajam pelo país ao lado de Shinsuke, um espadachim covarde. Juntos, eles enfrentam bandidos, monstros e outros usuários de poderes sobrenaturais que surgem ao longo do caminho.
Durante a jornada, o grupo se depara com uma organização sombria de monges envolvida com experimentos que misturam humanos e katawaras, que estão se preparando para a guerra. Diante disso, eles decidem enfrentar quem quer que esteja por trás desses planos. A partir daí, o conflito ganha outra escala, com batalhas cada vez mais intensas, a introdução de novos personagens e revelações que mudam completamente o rumo da história, levando a trama para um caminho muito mais épico e complexo do que parecia no início.
Sengoku Youko de Satoshi Mizukami
Sengoku Youko possui uma adaptação em anime produzida pelo estúdio White Fox, que adapta o mangá do início ao fim em 35 episódios divididos em duas partes lançadas em 2024. Apesar de ser considerado um dos melhores animes do ano por parte dos fãs, a série não alcançou uma grande popularidade.