13 de setembro de 2024

5 mangás Body horror bizarros

Painel de mangá de terror em preto e branco do livro O Garoto Verme, de Hideshi Hino. No canto inferior esquerdo, quatro membros de uma família tradicional japonesa expressam pavor e nojo com os olhos muito arregalados e suando frio. Eles olham em direção a uma porta de correr de papel do tipo shoji entreaberta. Saindo da escuridão do cômodo ao lado, o garoto Sanpei, já transformado em uma criatura verme bizarra e disforme, espia com seus imensos olhos esbugalhados.
O Garoto verme de Hidehi Hino

  O body horror é um subgênero do terror que foca na transformação grotesca, deformação ou mutilação do corpo humano. Essas obras exploram o medo que surge quando a integridade física é alterada de maneiras anormais, perturbadoras e dolorosas. Nos mangás, essa temática se destaca por conta da capacidade dos artistas de ilustrar com riqueza de detalhes as mudanças extremas no corpo de seus personagens, criando cenas de puro desconforto visual. Confira nessa lista cinco indicações de mangás body horror terrivelmente bizarros.

O Garoto Verme

Painel de mangá em preto e branco do livro O Garoto Verme, de Hideshi Hino. No centro, o menino Sanpei senta-se encolhido no chão, abraçando os joelhos e encarando o leitor com olhos esbugalhados. Ele está em um lixão cercado por entulho, incluindo um grande cano de concreto, pneus, uma bicicleta velha, um relógio de parede e um boneco Daruma. Gatos aparecem escondidos dentro do cano e uma fileira de formigas caminha pelo chão em primeiro plano.
O Garoto verme de Hidehi Hino
  O Garoto verme (Dokumushi Kozou no Original) é um mangá escrito e desenhado por Hideshi Hino,  mangaká conhecido como o autor mais polêmico do horror japonês e uma das grandes influencias de Junji Ito.  Este mangá é Uma adaptação muito livre de A Metamorfose de Franz Kafka, foi publicado originalmente no Japão em 1975 e é completo em apenas um volume.

Uma página de mangá em preto e branco composta por três painéis, característica do estilo de horror detalhado de Hideshi Hino. O painel superior apresenta dois personagens em um quarto, com foco em uma figura acamada e outra prestando cuidados. Os painéis inferiores utilizam close-ups e onomatopeias expressivas para transmitir uma atmosfera de tensão e mal-estar físico, ressaltando o tom sombrio e expressionista da obra.
O Garoto verme de Hidehi Hino

  O mangá conta a historia de um garoto solitário e incompreendido chamado Sanpei que é perseguido na escola e muito maltratado em casa, seus únicos amigos são os animais abandonados, insetos e até cobras que ele cria em seu esconderijo secreto em um lixão abandonado.  Mas quando esse menino é picado por um estranho verme, sua vida muda para sempre. O mangá não pega leve no terror do Sampei sofrendo uma grotesca transformação que afetará não só seu corpo como sua mente.

Painel de mangá em preto e branco do livro O Garoto Verme, de Hideshi Hino. Mostra o momento em que Sanpei se transforma em um verme gigante. Em primeiro plano, uma criatura semelhante a uma lagarta com cabeça humana e olhos esbugalhados rasteja para fora da cama. Ao fundo, sobre o travesseiro, repousa a casca vazia do seu antigo corpo humano, que se abriu ao meio. Linhas de ação verticais e onomatopeias japonesas enfatizam o impacto da cena.
O Garoto verme de Hidehi Hino

   Um mangá é psicologicamente pesado.  Mesmo não se encaixando nos padrões da sociedade e sendo  desprezado e odiado devido a sua aparência e aos seus gostos, Sampei é um menino inocente e sonhador apesar de tudo.  Acompanhamos a trama através de seu ponto de vista e é impossível não sentir pena e raiva das pessoas normais.  Vivendo sua vida com quase nenhum momento de felicidade nosso protagonista sempre foi destinado a tornar-se um pária, transformado ou não.

  Quando acometido por uma doença terrível e inexplicável ele se transformará fisicamente no monstro nojento que sempre foi aos olhos de todos, nisso sua família aproveitará essa oportunidade perfeita de se livrar dele... E nós acompanhamos esse pesadelo até o final.

Capa brasileira do mangá O Garoto Verme, de Hideshi Hino, publicado pela editora Zarabatana Books. O fundo mostra uma sala de estilo tradicional japonês com paredes de madeira escura e piso de tatame em tons de verde. No centro, uma criatura vermelha em formato de lagarta ou verme gigante, com dentes afiados e grandes olhos brancos esbugalhados, morde um pequeno corpo humano marrom. Em primeiro plano, na parte inferior, quatro membros de uma família expressam pavor e desespero com feições distorcidas pelo medo.
O Garoto verme de Hidehi Hino, Edição Brasileira.

  O Garoto Verme foi publicado no Brasil em 2008 pela editora Zarabatana Books, essa edição é muito rara de se encontrar.

Franken Fran

Capa colorida em estilo aquarela do volume 1 do mangá Franken Fran, de Katsuhisa Kigitsu. Em destaque na parte superior, a protagonista Fran Madaraki sorri amigavelmente; ela possui cabelos loiros longos, grandes olhos castanhos e costuras cirúrgicas marcadas em seu rosto, pescoço e pulsos. Na mão direita ela segura uma grande seringa de metal e vidro. No canto inferior direito, uma jovem de cabelos curtos acinzentados está caída no chão com uma expressão de medo e surpresa. Ao fundo, sob um céu nublado com raios, vê-se uma grande mansão de estilo europeu cercada por árvores. O título do mangá aparece no centro em letras japonesas amarelas e vermelhas com bordas escuras.
Franken Fran de Katsuhisa Kigitsu

  Franken Fran é um mangá seinen de comédia, horror e ficção científica, escrito e desenhado por Katsuhisa Kigitsu.  Foi publicado originalmente no Japão de 2006 até 2012 na revista Champion Red e completo em 8 volumes encadernados.

Painel de mangá em preto e branco com temática de horror médico do livro Franken Fran, de Katsuhisa Kigitsu. No centro da cena, a cirurgiã Fran Madaraki realiza um procedimento cirúrgico complexo e grotesco em uma sala de cirurgia ou laboratório repleto de equipamentos. Ela usa máscara, touca e óculos de proteção cirúrgicos, além de possuir quatro braços costurados que operam simultaneamente em meio a órgãos e tecidos expostos. Dois grandes balões de diálogo estão em branco, e onomatopeias em japonês reforçam o clima tenso e caótico da cirurgia.
Franken Fran de Katsuhisa Kigitsu

     Fran Madaraki é uma garota artificial criada pelo super cirurgião e cientista louco Dr. Naomitsu Madaraki para ser sua assistente... Porém esse médico renomado e excêntrico está desaparecido e cabe a sua filha reanimada assumir o negócio da família.

  No mangá acompanhamos nossa protagonista realizar cirurgias incrivelmente complexas e experimentos médicos radicais, revivendo mortos, modificando corpos e transformando seres humanos de maneiras perturbadoras. Embora seu desejo seja ajudar as pessoas e seguir o legado do criador, seus métodos são muitas vezes moralmente questionáveis, levando a resultados imprevisíveis e grotescos.
 
Painel de mangá em preto e branco do livro Franken Fran, de Katsuhisa Kigitsu, ilustrando um caso extremo de body horror. Uma garota com longos cabelos em duas chiquinhas e expressão assustada está deitada em uma cama de hospital. Do pescoço para baixo, seu corpo foi totalmente transformado por cirurgia ou mutação no abdômen gigante e segmentado de uma lagarta ou inseto, repleto de pequenas pernas com garras afiadas próximas ao peito. Um balão de pensamento traz apenas reticências, acompanhado de onomatopeias em japonês ao redor da cama.
Franken Fran de Katsuhisa Kigitsu

  Embora o body Horror seja mais facilmente associado a contos perturbadores de puro terror,  ele também pode ser trabalhado de maneira impactante em obras de tom mais leve.  Cada capítulo conta uma história que podemos apostar que terminará mal, que os personagens acabarão deformados, terrivelmente mutilados e com cicatrizes que carregarão para o resto da vida, se sobreviverem...

Junji Ito

Painel de mangá em preto e branco da obra Uzumaki, de Junji Ito. À esquerda, um jovem casal observa com uma expressão de choque e pavor. À direita, dentro de uma tina de madeira circular, a figura de um homem aparece transformada de forma surreal, com seu corpo moldado em uma espiral perfeita, refletindo os temas de horror sobrenatural e obsessão característicos da obra.
Uzumaki de Junji Ito
  o mestre dos mangás de terror Junji Ito é um dos autores que mais explora o body horror nas seus obras, acompanhamos seus personagens acometidos por terrores psicológicos inimagináveis em um clima de tensão constante que nós prende a historia até que em uma virada de pagina somos impactados com uma representação física grotesca muito bem desenhada que materializa toda aquela loucura e desumanização de suas vitimas.

Página de mangá em preto e branco da obra Uzumaki, de Junji Ito, sob uma chuva forte. Os painéis superiores mostram em sequência o rosto suado e feio de um garoto se transformando: seus olhos saltam para fora e esticam-se para cima sobre hastes, virando os tentáculos oculares de um caracol. O painel inferior esquerdo revela a transformação completa em um homem-caracol gigante, com uma imensa concha em espiral nas costas, rastejando pela parede externa de uma escola. No canto inferior direito, duas estudantes observam a cena chocadas.
Uzumaki de Junji Ito
  Em Uzumaki, uma das obras mais populares e cultuadas, Junji ito nos conta a historia de um jovem casal de namorados testemunhando acontecimentos bizarros em uma pequena cidade de interior amaldiçoada por espirais.  Pelos olhos dos protagonistas vemos em muitos capítulos como a bizarra fixação por espirais que acomete a população os deforma física e mentalmente a população do local.
  Com destaque para a criatividade do autor que consegue explorar o tema espirais de formas diferentes e assustadoras ao longo de 19 capítulos.  Ninguém vê uma espiral da mesma forma depois dessa leitura.

  Não posso deixar de comentar nessa postagem um dos meus mangás favoritos do autor,  uma historia curta chamada...

Layers of fear

Ilustração colorida de uma página de mangá de Junji Ito, intitulada "Camadas de Medo" (Kyōfu no Jūsō). No centro, uma jovem de cabelo curto cobre parte do rosto com a mão esquerda. Atrás dela, uma mulher idosa de blusa roxa estende as duas mãos em uma pose ameaçadora. No canto inferior esquerdo, outra jovem de cabelos longos observa a cena assustada. O fundo exibe um padrão psicodélico de espirais cinzas, e o topo traz o título em grandes letras japonesas brancas com bordas roxas.
Layers of fear

  a historia começa alguns anos no passado onde acompanhamos um grupo de arqueólogos liderado pelo genial professor Soya,  eles descobrem uma série de camadas que lembram um rosto humano em uma área de escavações arqueológicas.  Ao investigar mais eles encontram um crânio que parece ter sido de uma criança e chegam a conclusão que aquele lugar possa ter sido um tumba.

  alguns anos depois acompanhamos as filhas do já falecido professor Soya que estão realizando uma viagem de carro.  Narumi e sua irmã mais nova Reimi, que sempre teve muito mais atenção e mimos por parte da mãe.  Após um grave acidente de carro Reimi e gravemente ferida e essa família descobre aquele antigo crânio que o professor levou pra casa para estudar os amaldiçoou.

Imagem combinada com dois painéis em preto e branco do mangá "Camadas de Medo", de Junji Ito. À esquerda, um close-up chocante mostra uma boca feminina aberta, revelando fileiras e mais fileiras de dentes humanos sobrepostos que se estendem pelo céu da boca até a garganta. À direita, a silhueta em perfil de uma cabeça humana é representada inteiramente por linhas concêntricas e hachuras que formam camadas biológicas expostas, lembrando os anéis de crescimento de uma árvore. Dois balões de fala em formato de explosão estão em branco na cena da esquerda.
Layers of fear de Junji Ito



Imomushi

Capa colorida do mangá de terror Imomushi (A Lagarta), ilustrado por Suehiro Maruo e baseado na obra de Edogawa Ranpo. O fundo é preto e decorado com ramos de folhas verdes e flores amarelas. No canto superior direito, uma mulher pálida de batom vermelho e expressão de pavor veste um quimono rosa e estende o braço esquerdo. Abaixo, um homem com o corpo inteiramente envolto em ataduras brancas, como um casulo, veste um quepe militar preto com uma estrela dourada de cinco pontas. No centro, uma ilustração em estilo retrô japonês mostra uma mãe com seu filho segurando a bandeira do sol nascente. O título "Imo-mushi" aparece à esquerda em grandes letras vermelhas japonesas.
A Largata de Suehiro Maruo

   Imomushi (A Largata em português) é um mangá de Suehiro Maruo,  mestre do gênero ero-guro (erótico grotesco), foi publicado originalmente no Japão em 2008 e completo em apenas um volume,  é uma adaptação de um conto homônimo do renomado escritor de horror japonês Edogawa Rampo de 1929.

Painel de mangá em preto e branco do livro Imomushi (A Lagarta), ilustrado por Suehiro Maruo. À esquerda, uma enfermeira vista de costas observa o quarto. No centro, deitado em uma cama de hospital, está um homem com a cabeça, o tronco e os tocos de seus braços e pernas amputados completamente cobertos por ataduras brancas amarradas. Ao fundo, uma grande janela quadriculada com cortinas abertas mostra silhuetas de galhos com flores de cerejeira do lado de fora.
A Largata de Suehiro Maruo

  No mangá acompanhamos o triste caso do tenente Sunaga, um herói da primeira guerra mundial que é repatriado depois de ser gravemente ferido em combate,  ele perdeu os braços e pernas e os ferimentos o tornaram surdo e mudo. Completamente invalido, seus cuidados ficam a cargo de Tokiko, sua belíssima esposa... que começa a sentir ódio e uma bizarra atração sexual por esse ser sofredor e deformado.

  A adaptação de Suehiro Maruo potencializa essa obra que explora tanto a violência extrema quanto a luxúria sexual.  Trazendo criticas ao nacionalismo japonês, imperialismo, militarismo e masculinidade.

  Edit: A Largata foi publicada no Brasil pela editora Pipoca e Nanquim.

O verão em que Hikaru morreu

Ilustração colorida com textura de pintura digital do mangá The Summer Hikaru Died, de Mokumokuren. À esquerda, o personagem Hikaru, com cabelos brancos arrepiados e um sorriso largo exibindo dentes pontudos, segura uma moldura de retrato fúnebre preta com um laço ao redor do próprio rosto. À direita, Yoshiki, de cabelos escuros e expressão melancólica, observa com um olhar triste de canto. O fundo é inteiramente composto por um padrão denso de flores azuis e folhagens verdes em tons pastéis.
O Verão em que Hikaru Morreu de Ren Mokumoku
  Hikaru ga shinda natsu é um mangá de terror Boys Love de autoria de Ren Mokumoku e publicado desde 2021 no aplicativo de mangá Young Ace Up da editora japonesa Kadokawa, ainda em publicação com 4 volumes encadernados até o momento.  No Brasil o mangá é publicado pela editora Panini com o titulo "O Verão em que Hikaru Morreu".

Página de mangá em preto e branco dividida em dois painéis horizontais da obra The Summer Hikaru Died, de Mokumokuren. O painel superior mostra em plano médio o corpo de um jovem de uniforme escolar com a camisa aberta; bem no centro do seu peito há uma fenda preta e vertical profunda e sem sangue, assemelhando-se a uma abertura vazia. O painel inferior mostra o rosto do personagem Yoshiki, com cabelos escuros e expressão de profundo choque e pavor ao testemunhar a cena. Três balões de diálogo estão em branco.
O Verão em que Hikaru Morreu de Ren Mokumoku

  A história se passa em uma pacata vila rural e acompanha dois melhores amigos de infância, Yoshiki e Hikaru. Até que um dia, Hikaru desaparece misteriosamente na floresta e é encontrado algum tempo depois, mas só Yoshiki, sendo seu melhor amigo, percebe que algo está diferente é o Hikaru que voltou não é o mesmo Hikaru que conhecia e ele começa a suspeitar que o corpo de seu melhor amigo está sendo habitado por alguma outra entidade.

Painel de mangá em preto e branco com forte contraste de sombras da obra The Summer Hikaru Died, de Mokumokuren. O personagem Hikaru, de cabelos claros, abraça fortemente Yoshiki pelas costas em um ambiente interno escuro. O lado esquerdo do rosto de Hikaru está desfigurado e derretendo, transformando-se em uma massa escura e orgânica repleta de texturas e pequenos olhos bizarros que se espalham pelo ar. Yoshiki, de cabelos escuros, é visto de costas recebendo o abraço. Dois balões de diálogo verticais estão em branco.
O Verão em que Hikaru Morreu de Ren Mokumoku
  À medida que o enredo se desenrola, o mangá explora temas de identidade, perda, amizade e o medo do desconhecido, enquanto Yoshiki tenta lidar com o fato de que seu amigo não é mais o que era antes. A tensão só cresce conforme o mistério por trás da transformação de Hikaru vai sendo revelado, junto com eventos sobrenaturais e inquietantes que ocorrem na vila.

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