23 de outubro de 2025

5 Mangás de terror com seitas e cultos bizarros

Ilustração de página colorida do mangá de terror Smiley. Uma multidão de pessoas com rostos idênticos e sorrisos idênticos, assustadores e de olhos fechados, veste uniformes cinzas e bate palmas. Textos em japonês estilizados em vermelho e preto cobrem a imagem.
Smiley de Mitei Hattori

  Tem algo muito perturbador em histórias com seitas e cultos que não é só o medo do sobrenatural, mas um terror psicológico de ver gente comum se perdendo em crenças bizarras, rituais sinistros e seguindo líderes carismáticos completamente insanos.  Confira nessa postagem 5 mangás para quem curte um terror psicológico e quer conhecer histórias complexas que vão te fazer questionar até onde a mente humana pode ir em nome da fé. 

Aoharujima – Boku no Inochi wo Seishun ni Sasagu

Capa do volume 1 do mangá Seishun-jima. No centro, um garoto ruivo de uniforme vermelho ajoelha-se com expressão séria e segura um retrato fúnebre. Ao fundo, um grupo de estudantes sorridentes faz poses alegres em frente a um quadro-negro com textos em japonês. Pétalas rosa cobrem o chão.
Aoharujima – Boku no Inochi wo Seishun ni Sasagu  de Nagayama Souji.

  Aoharujima – Boku no Inochi wo Seishun ni Sasagu é um mangá shonen, survival horror, de autoria de Nagayama Souji.   Publicado desde 2023 na Sunday Web Every, uma plataforma oficial da editora Shogakukan que publica mangás online.  No momento em que escrevo,  essa serie está em andamento com 18 capítulos e possui 2 volumes encadernados no Japão.  

Ilustração colorida do mangá Seishun-jima em tons pastéis. Em primeiro plano, o protagonista de cabelo ruivo e uniforme vermelho segura um ramo de flores de cerejeira e usa fones de ouvido. Ao fundo, um grupo de estudantes observa à distância sob árvores de cerejeira floridas.
Aoharujima – Boku no Inochi wo Seishun ni Sasagu  de Nagayama Souji.

 Na trama acompanhamos um jovem estudante transferido para uma ilha paradisíaca e isolada,  nesse lugar os adolescentes podem desfrutar de uma vida escolar maravilhosa e vivenciar a juventude ao máximo. 

  Mas logo nosso protagonista percebe que essa ilha funciona como um tipo de seita bizarra. Seus habitantes da são fanáticos religiosos que acreditam na ideia de juventude perfeita, que aqueles que vivem suas vidas aproveitando ao máximo a juventude estarão mais próximos de Deus, mesmo que isso signifique sacrificar vidas humanas.

Página de mangá em preto e branco mostrando uma sala de aula. No centro, de costas, está o protagonista. Ele é cercado por um grande grupo de estudantes que o encaram com sorrisos largos, olhos arregalados e expressões faciais assustadoras e exageradas.
Aoharujima – Boku no Inochi wo Seishun ni Sasagu  de Nagayama Souji.

  Nessa história nos descobriremos os rituais e segredos sombrios dessa ilha junto com o protagonista que precisa escolher entre se deixar levar por essa ilusão ou lutar para escapar dessa utopia juvenil.

Smiley

Duas capas lado a lado do mangá de terror Smiley, de Mitei Hattori. À esquerda, o volume 1 destaca uma estátua religiosa dourada com um sorriso humano assustador exibindo os dentes e fundo vermelho. À direita, o volume 11 foca no rosto pálido de um homem de cabelos escuros com um sorriso idêntico e macabro.
Smiley de Mitei Hattori

  Smiley é um mangá seinen de suspense psicológico de autoria de Mitei Hattori. foi publicado originalmente no Japão na revista Manga Goraku de 2021 até 2025 e é completo em 11 volumes encadernados.  Já tem uma adaptação live-action anunciada!

Página de mangá em preto e branco dividida em quatro painéis. Um homem de cabelos escuros e barba rala aparece em uma casa antiga de estilo japonês. Ele observa através de frestas de portas e interage com outras pessoas. Os balões de diálogo estão em branco e há onomatopeias japonesas na cena.
Smiley de Mitei Hattori
Painel de mangá em preto e branco mostrando duas mulheres idosas sorridentes, lado a lado, em uma varanda de madeira. À esquerda, uma senhora usa um chapéu de aba mole e um cardigã de botões. À direita, a outra mulher tem cabelos presos e veste um casaco aberto. Seus sorrisos parecem fixos e sutis.
Smiley de Mitei Hattori
  Na trama acompanhamos Yuushi Kamome, um escritor traumatizado depois de perder a filha em um trágico acidente e ser abandonado pela esposa, ele passa seus dias vazios apenas existindo.    Porém certo dia membros de uma misteriosa seita chamada Smiling Hearts Society batem a sua porta e lhe entregam um panfleto, nele nosso protagonista encontra a imagem de sua esposa desaparecida e levado pela esperança de reencontrá-la, se envolverá com esse misterioso culto.

  Essa seita se apresenta como um grupo que promete curar a dor e trazer felicidade por meio do sorriso, mas esconde um lado sombrio e manipulador.  Conforme nosso protagonista se envolve com a seita, descobrimos que o grupo esconde rituais sinistros, doutrinas extremas e líderes carismáticos, cuja influência é quase hipnótica.

Painel de mangá em preto e branco com atmosfera de terror. Uma multidão de pessoas em uniformes idênticos grita ou ri histericamente com as bocas totalmente abertas e olhos fechados. No centro, destacado em tons mais claros, um homem jovem chora silenciosamente com uma expressão de desespero.
Smiley de Mitei Hattori
  A editora Comix Zone anunciou a publicação de Smiley no Brasil,  sua coleção vai compilar os 11 volumes originais em apenas 6 volumes.

N

Capa do volume 1 do mangá de terror N. O fundo superior é preto com uma grande letra N branca e estilizada. Abaixo, um campo aberto desenhado em linhas pretas e brancas traz sulcos profundos no solo em formato de zigue-zague ou letras Z e N. No centro do horizonte, destaca-se um pequeno santuário xintoísta tradicional de telhado vermelho.
N de Kurumu Akumu

  N é um mangá seinen de terror escrito por Kurumu Akumu e desenhado por Niko to Game,  é publicado desde 2023 na A Dengeki Comic Regulus, uma plataforma online de mangás da demografia seinen da editora Kadokawa.  A serie ainda está em andamento no Japão e possui 2 volumes encadernados no momento que escrevo essa postagem.

Painel de mangá em preto e branco dividido em três partes com traço hachurado e sombrio. No topo, o detalhe de um olho humano arregalado de pavor. No meio, quatro crianças agachadas em círculo apontam para o chão escuro. Na parte inferior, uma perspectiva aproximada mostra duas das crianças com feições distorcidas, cabeças alongadas e expressões sinistras.
N de Kurumu Akumu
Painel de mangá em preto e branco com perspectiva de cima para baixo. Quatro mãos aparecem apontando os dedos indicadores em direção ao solo arenoso ou de terra clara. O chão está repleto de marcações entalhadas em formatos repetidos de zigue-zague ou letras Z e N. Nas laterais inferiores, veem-se as pontas dos calçados de quem está em pé observando.
N de Kurumu Akumu
  Com um formato de antologia,  cada capitulo desse mangá apresenta um caso bizarro e independente que parecem conectados por uma única pista perturbadora: a letra “N”.  Ao longo dos capitulos em meio aos crimes violentos, acidentes e tragedias vamos tendo pistas a respeito dessa letra misteríosa e vamos encaixando essas informações para entender a ordem dos acontecimentos e historia completamente.

Painel de mangá de terror em preto e branco com forte contraste de sombras. Três figuras masculinas estão em pé, lado a lado, com os rostos completamente obscurecidos pela escuridão. O homem do centro veste uma camisa clara com bolsos frontais, destacando-se uma letra N desenhada no bolso esquerdo. As duas figuras ao fundo parecem curvar a cabeça ou usar bandagens.
N de Kurumu Akumu
    Uma das revelaçoes diz respeito a uma lenda urbana sobre um grupo religioso chamado “N” que pode estar de alguma forma conectado com os eventos atuais,  resta acompanhar os proximos episódios e saber mais a respeito.  Para quem curte mangás de terror como PTSD Radio ou Boku ga Shinu dake no Hyakumonogatari, é uma exelente sugestão. 

Gannibal

Duas capas lado a lado do mangá de terror Gannibal, de Masaaki Ninomiya, cobertas por letras japonesas estilizadas em vermelho. À esquerda, o volume 4 mostra uma cena caótica com fogo, fumaça e uma figura ao fundo que parece estar sendo queimada. À direita, o volume 5 traz tons esverdeados e foca em uma idosa rindo de forma insana e assustadora, cercada por outras figuras macabras de olhos arregalados.
Gannibal de Masaaki Ninomiya
  Gannibal do autor Masaaki Ninomiya é um mangá seinen de survival horror  poblicado originalmente no Japão na revista Weekly Manga Goraku de 2018 até 2021 e completo em 13 volumes, e é publicado no Brasil pela editora MPEG. Possui uma excelente adaptação em live-action disponivel no Disney+

Painel de mangá em preto e branco com alta tensão. Em primeiro plano à direita, um policial de quepe e uniforme encara o leitor com olhos arregalados de choque. Logo atrás dele, à esquerda, um homem idoso e calvo, com barba longa e olhos brancos e assustadores, ergue uma foice ou ferramenta afiada pronto para atacá-lo pelas costas. Há um balão de fala vazio à direita.
Gannibal de Masaaki Ninomiya
  A trama acompanha Daigo Agawa, um policial transferido com sua família para uma remota vila nas montanhas.  A principio essa vila rural parece tranquila e sua família é bem recebida mas a morte de um idoso aldeão em condições bizarras revela uma uma comunidade de canibais.

  
Painel de mangá em preto e branco com perspectiva de cima. Um grupo de seis pessoas está reunido ao redor de uma mesa baixa de centro em uma sala com piso de tatame. Em primeiro plano, um jovem de jaqueta é visto de costas, enquanto os outros cinco integrantes o encaram com expressões sérias e desconfiadas. Pratos com comida e uma garrafa grande estão sobre a mesa.
Gannibal de Masaaki Ninomiya

  No mangá Gannibal, não há exatamente uma seita ou culto religioso formal, mas a vila onde a história se passa funciona quase como uma comunidade fechada com comportamento de culto. Os moradores têm regras próprias, rituais e uma lealdade extrema à família Goto, que domina o local e está ligada ao canibalismo.

  Esses elementos criam uma atmosfera semelhante à de uma seita, onde o medo, o segredo e a obediência cega sustentam o equilíbrio da vila. Então, embora não haja uma religião organizada ou doutrina espiritual explícita, o fanatismo e o isolamento dos habitantes dão ao enredo um forte tom de culto macabro e tribal.
  

Suicide Club (Jisatsu Circle)

Capa brasileira do mangá Suicide Club, de Usamaru Furuya, publicado pela NewPOP. Uma estudante de cabelo curto e uniforme escolar estilo marinheiro (camisa branca com gola escura e saia plissada azul) está em pé de costas, olhando por cima do ombro. O fundo mostra uma rua japonesa detalhada em preto e branco. No chão de paralelepípedos, o título "Suicide Club" aparece escrito em letras vermelhas que imitam sangue espalhado.
Suicide Club (Jisatsu Circle) de Usamaru Furuya

  Suicide Club (Jisatsu Circle) é um mangá de horror psicológico do mangaká Usamaru Furuya.  É um volume unico e foi publicado originalmente no Japão em 2002.  é inspirado pelo filme Suicide Club de 2001 (Aqui no Brasil se chama O Pacto) de Sion Sono, mas não uma adaptação fiel.  Já foi publicado no Brasil pela Editora NewPOP.

Página de mangá em preto e branco dividida em quatro painéis. Os dois primeiros painéis no topo mostram close-ups de mãos dadas de estudantes. O painel do meio exibe três alunas de uniforme de costas, formando uma corrente humana ao segurarem as mãos umas das outras. O painel inferior mostra uma longa fila de estudantes sorridentes em uma plataforma de trem ou metrô.
Suicide Club (Jisatsu Circle) de Usamaru Furuya

  O mangá começa de forma macabra, 54 estudantes colegiais cometem um suicídio coletivo pulando de mãos dadas na frente de um trem em movimento.  Porém Saya, uma dessas garotas sobrevive a esse incidente,  essas garotas pertenciam a um misterioso clube liderado por uma estudante chamada Mitsuko.

 Então acompanhamos Kyoko, a melhor amiga de sobrevivente, ela descobre que Saya está inconformada por ter sobrevivido e e abriu outro Clube do Suicídio.  Nossa protagonista então começa a procurar os estranhos segredos que cercam esse clube para tentar salvar Saya e as outras garotas de cometerem uma tragédia semelhante novamente.

Painel de mangá em preto e branco. Uma grande multidão de garotas vestindo uniformes escolares estilo marinheiro caminha junta em uma rua. No centro da imagem, uma estudante de cabelo curto avança em destaque à frente do grupo. No chão, onomatopeias japonesas repetidas e a palavra em inglês "STAMP" indicam o som forte dos passos sincronizados da multidão.
Suicide Club (Jisatsu Circle) de Usamaru Furuya
  No mangá o  “clube do suicídio” se estrutura como um verdadeiro culto disfarçado de grupo de apoio. Com a figura carismática e enigmática de Saya,  jovens emocionalmente fragilizadas encontram um espaço de acolhimento e propósito, ainda que esse propósito seja a própria autodestruição.  O grupo oferece sentido a essas meninas, prometendo libertação da dor através de um ritual coletivo de morte.

  O suicídio, nesse contexto, deixa de ser um ato isolado e passa a assumir o caráter de cerimônia, um rito de passagem compartilhado que reforça a coesão do grupo e a devoção à sua líder simbólica.

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